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Lei de Gérson, ou de Flamengo?

O curioso caso do clube para quem o futebol deveria voltar durante a pandemia, exceto se o prejudicasse

29/09/2020 às 09:45
Lei de Gérson, ou de Flamengo?

Na foto, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim

Gérson foi um dos maiores jogadores brasileiros, "cérebro do time campeão da Copa do mundo de 70", um dos melhores meio-campistas do mundo, conhecido pela inteligência e pela precisão.

Mas, conhecido mesmo, ficou pela “Lei de Gérson”.

De Gérson, de fato, a “lei” não tem nada, pois não passava de uma campanha publicitária. Mas uma frase dita por ele no comercial ultrapassou a intenção de vender cigarro e terminou por resumir todo o conceito – malicioso – do “jeitinho brasileiro”, com a intenção de “levar vantagem em tudo”, na visão mais pejorativa.

Gérson, que curiosamente despontou na carreira jogando pelo rubro-negro, não fez precisamente nada para ter seu nome associado à hoje famosa “Lei de Gérson”. Já o Flamengo... 

Depois de ter feito uma ostensiva campanha pela volta do futebol, o Flamengo viu boa parte do seu elenco contaminado pelo novo coronavírus na semana passada, somando 41 pessoas confirmadas. E apelou para que tivesse seu jogo adiado, contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro.

O pedido de adiamento não passou de uma decisão de conveniência. Tentou claramente “meter o atestado”, porque percebe o Atlético se desgarrando e o Domenèc Torrent ainda sem conseguir emplacar sua filosofia de jogo.

O histórico recente do Flamengo, inclusive, já mostra comportamentos dessa natureza: por exemplo, se permite fazer um lobby na Presidência da República, sem alinhamento com os clubes, para mudar a lógica dos direitos de transmissão por medida provisória. E se insurge contra o que defendeu quando o sorteio deu o mando da final da Taça Rio ao Fluminense.

Voltando ao episódio deste final de semana, a divergência sobre a manutenção da partida jamais girou em torno de se romper o protocolo construído — com todo apoio do próprio Flamengo — para a retomada do futebol, o que inclui obviamente a impossibilidade de se escalarem atletas contaminados. 

Isso era incontroverso. A questão é que a alternativa mais lógica que se apresentava era a convocação dos jogadores da base. Ocorre que a saída mais lógica não convinha ao Flamengo, em mau momento e precisando despontar no Brasileiro. 

Em uma verdadeira novela de insegurança jurídica, a partida foi autorizada em definitivo a poucos minutos que a antecediam. 

Ainda quando persistia a indefinição, o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, deu o tom: “Caso seja definido que o protocolo determinado para o Campeonato Brasileiro não será cumprido, é preciso paralisar a competição”. E isso parece muito claro. 

O protocolo pode ser bom, ou falho. A decisão de voltar com o futebol pode ter sido acertada, ou duvidosa. Mas o protocolo não pode ser bom e a decisão acertada somente enquanto o Flamengo não se sente prejudicado.

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