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O tempo está passando...

27/02/2020 às 03:06
O tempo está passando...

A eliminação nos pênaltis para o desconhecido Afogados da Ingazeira, de Pernambuco, nessa quarta-feira (26), pela segunda fase da Copa do Brasil, pode ter sido o maior vexame da história do Atlético. Era apenas a segunda fase da competição contra o modesto time da Série D. Repito, Série D. 

Mais que isso, a equipe adversário tem um time com jogadores que não vivem da renda do esporte. Como na Copa Itatiaia, no outro dia do jogo, os atletas têm outros cargos a cumprir. 

O Afogados da Ingazeira foi fundado em 2013, curiosamente o ano mais importante da centenária história atleticana. Enquanto o time nascia no interior pernambucano, o alvinegro mineiro se sagrava campeão da América. Sete anos depois, aquele time que levantou o troféu da Libertadores ajudou o recém-nascido a fazer de 2020, até então, o ano mais importante de sua história. 

Como se não bastasse o resultado em campo, o Afogados elevou as estatísticas da importância da força de vontade. A classificação valeu R$ 1,5 milhão. Nos pés daqueles profissionais estava a chance de construir um CT para o clube e de receberem um bicho que salários comuns não pagam.

E vai aí outra curiosidade: a folha salarial do Atlético pagaria 8 anos dos vencimentos do Afogados. Levando em consideração que o clube tem sete anos de existência, em um mês o alvinegro pagaria – e sobraria – todo o gasto da história do time pernambucano. 

São números que não param mais! Todos embasando que na história do Atlético não cabia essa página, bem como na do Afogados... o sonho se tornou realidade. 

E agora? 

Para o Atlético, metade das competições do ano terminou em dois meses. Não tem mais Copa Sul-Americana, nem Copa do Brasil. Agora é Campeonato Mineiro e, quando este encerrar, Campeonato Brasileiro. Sequer a desculpa de foco diferente ou cabeça dividida terá este ano  (esse que foi motivo de muitas derrotas e eliminações nos últimos fatídicos anos).

Ganhar troféus não é obrigação, é objetivo. Lutar por eles, sim, é pré-requisito. O que está em cheque agora é o nome do clube e até onde sua má-fase pode chegar. Se em campo o time está sem direção, nos bastidores não é diferente. Sem técnico, sem diretor de futebol e um recomeço praticamente dentro de um começo – que foi há poucas semanas. 

Mais uma vez, o Atlético volta à estaca zero de planejamento, sabendo, por A mais B, que só continuidade traz resultados. O Afogados precisou de sete anos para construir seu CT; e o Atlético, que tem o melhor centro do Brasil, precisará de quanto tempo para conquistar seus objetivos? O tempo está passando...

E aqui reafirmo que o futebol vai ficar insustentável com salários astronômicos e um resultado pífio. Qual a diferença de atletas de Pernambuco e Minas Gerais? Salários, responsabilidades, raça, técnica...

Não estou jogando a responsabilidade de que os atletas do Afogados serão os campeões da Copa do Brasil, mas se continuarem assim vão dar banho em times que têm nome grande mas agem como pequenos.
 

Foto: Bruno Cantini / Agência Galo / Atlético

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