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Suécia reconhece erros em não adotar lockdown no combate à pandemia do coronavírus

Por Agência Estado, 03/06/2020 às 13:35
atualizado em: 03/06/2020 às 14:42

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O responsável pela estratégia da Suécia no combate ao coronavírus admitiu que o país deveria ter adotado medidas mais contundentes de isolamento social para conter a pandemia. Em resposta a críticas crescentes sobre a posição do país, o epidemiologista-chefe da Agência de Saúde Pública, Anders Tegnell, admitiu que uma abordagem mais dura poderia ter evitado o alto número de mortes registrado no país.

"Sim, acho que poderíamos ter feito mais do que fizemos na Suécia, claramente", disse. "Se encontrássemos a mesma doença, sabendo exatamente o que sabemos hoje, acho que acabaríamos fazendo algo entre o que a Suécia fez e o que o resto do mundo fez."

Em números absolutos, a Suécia tem menos mortos pela covid-19 do que países como Reino Unido, Espanha e Itália - os epicentros da doença na Europa. No entanto, a taxa de mortalidade per capita sueca é a oitava maior do planeta.

Em uma entrevista ao Estadão em 8 de maio, Tegnell sustentou que 25% estavam imunes em Estocolmo e rebateu críticas ao modelo adotado no país. "Já temos algo como 25% por cento da população imune, o que significa que atravessamos boa parte do caminho", disse Tegnell na ocasião.

Considerando apenas a semana entre os dias 26 de maio e 2 de junho, no entanto, o país teve a maior taxa de mortalidade per capita do mundo: 5,29 mortes por milhão. No mesmo período, o Brasil teve 4,34 mortes por milhão de habitantes, segundo o site Our World In Data, que compila dados sobre a pandemia.

O comentário de Tegnell veio após meses de críticas a outros países europeus que adotaram lockdowns: até este momento, o governo sueco, de centro-esquerda, insistia que a abordagem frente à doença era economicamente mais sustentável. A insistência gerou uma série de questionamentos e críticas internacionais e domésticas, isolando Estocolmo no bloco europeu.

Isolamento

No ápice da pandemia, a Suécia foi um dos poucos países em que cafés e restaurantes ficaram abertos, escolas para alunos abaixo de 16 anos funcionavam e eram onde amigos e parentes ainda podiam se reunir.

As fronteiras continuaram abertas para visitantes europeus e o isolamento social era voluntário, apostando na cooperação do público. As estatísticas suecas mostram a fraqueza do plano: o país apresenta quase quatro vezes o total de mortos somado dos outros países nórdicos.

Enquanto os mortos por covid-19 no território sueco chegam a 4.468, com 38.589 casos confirmados, Noruega e Dinamarca, que adotaram medidas de isolamento, têm números bastante inferiores: 8.455 infectados e 237 mortes, e 11.934 infectados e 580 mortes respectivamente.

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